05 — Benefits · Santander Brasil

Ben Visa Vale na App Store

As avaliações negativas não eram sobre o produto. Eram sobre o que estava escrito antes de baixá-lo.

Cliente Santander Brasil
Ano 2019
Papel Product Designer
Duração 3 meses
Telas do aplicativo Ben Visa Vale exibindo a jornada de onboarding e ativação de cartões de benefícios.
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Visão geral

Problema

O app da Ben Visa Vale tinha nota 4,5 nas lojas. Em duas semanas, a nota caiu para 4,2, impulsionada por uma série de avaliações de uma estrela. Os relatos falavam em impossibilidade de criar conta, bugs no cadastro e app que "não funciona". O time de produto não conseguia reproduzir nenhum desses problemas nos próprios dispositivos.

Contexto

A Ben estava em fase de expansão controlada. A estratégia era validar com uma base inicial, ajustar percepção de qualidade e bugs antes de abrir os canais de venda para RHs de grandes empresas. Avaliações ruins nesse momento comprometiam diretamente a credibilidade do produto na hora de converter contratos corporativos. A pressão para entender a causa era alta e o tempo para agir era curto.

Hipóteses

Os comentários negativos tinham um padrão suspeito: falavam de erros no cadastro, mas não havia falhas técnicas mensuráveis. A hipótese era que esses usuários não eram clientes Ben: haviam baixado o app esperando se cadastrar numa plataforma aberta, sem perceber que o produto era exclusivo para quem já tinha cartão. Verificar isso exigiria ir além dos dados e ouvir quem estava reclamando.

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Escopo de atuação

  • Análise dos comentários nas lojas (Google Play e App Store) para identificar padrões nos relatos negativos
  • Cruzamento com métricas quantitativas de uso para separar problemas reais de problemas de percepção
  • Testes de guerrilha com perfis extremos: trabalhadores formais com cartão de benefício, 18 a 55 anos, Android, com diferentes graus de familiaridade com tecnologia financeira
  • Diagnóstico de comportamento de leitura em telas de onboarding e descrições de loja
  • Reescrita das descrições nas lojas com clareza sobre o pré-requisito de ser cliente Ben
  • Mapeamento da necessidade de UX Writing no squad como função estrutural permanente
UX Research Guerrilla Testing UX Writing App Store Optimization Product Strategy
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Solução

Painel de análise de comentários nas lojas com padrões identificados nos relatos negativos do app Ben.
Diagnóstico

O problema estava na porta de entrada, não dentro do produto

Os dados quantitativos mostraram o volume e o momento da queda, mas não explicavam a causa. Nas avaliações, havia um padrão: usuários que não conseguiam criar conta ou acessar o app, mas o time não conseguia reproduzir nenhum desses erros. Nos testes com usuários reais, o diagnóstico ficou claro: esses usuários não tinham cartão Ben. Eles haviam baixado o app esperando se cadastrar numa plataforma aberta de benefícios, sem entender que o produto era exclusivo para quem já era cliente.

Comparativo entre a descrição original do app Ben nas lojas e a versão reescrita com clareza sobre o pré-requisito de uso.
Escrita

A descrição nas lojas prometia algo que o produto não entregava para todos

O texto da loja dizia que o usuário poderia "cadastrar quantos cartões tivesse". O pré-requisito de ser cliente Ben aparecia enterrado, sem destaque. Nas lojas, o comportamento de leitura é dinâmico: as pessoas varrem em busca de palavras-chave, não leem na íntegra. A maioria dos usuários insatisfeitos havia baixado o app interpretando-o como uma plataforma aberta. A reescrita focou em colocar o pré-requisito visível desde a primeira linha.

Testes de usabilidade com usuários reais demonstrando o padrão de leitura dinâmica em telas de onboarding do app Ben.
Comportamento

As pessoas não leem. Elas buscam.

Não importava o grau de escolaridade ou a idade. O padrão de comportamento era consistente: ninguém estava disposto a gastar mais do que pouquíssimos minutos num onboarding de app de benefícios. Nos testes, mesmo com telas que guiavam o usuário com instruções explícitas, as pessoas varriam o conteúdo em busca de palavras-chave e tomavam decisões antes de processar o que estava escrito. Esse aprendizado mudou a abordagem do time para hierarquia de informação em todos os fluxos seguintes.

Estrutura do squad Ben com a função de UX Writer integrada, mostrando a atuação transversal entre design, produto e desenvolvimento.
Estrutura

Em semanas, a nota voltou para 4,5

Com a descrição das lojas ajustada, as avaliações de usuários que não eram clientes pararam. Em algumas semanas a nota retornou para 4,5. O processo revelou um gargalo estrutural que até ali era invisível: a ausência de alguém especializado em linguagem dentro do time. A consequência foi a criação da função de UX Writer no squad, atuando junto a design, produto e desenvolvimento.

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Resultados

4,5 Nota recuperada nas lojas

De volta ao patamar anterior em poucas semanas

~0 Reviews sem fundamento

Avaliações por mal-entendido da proposta do produto reduzidas a quase zero

+1 UX Writer no squad

Nova função criada a partir do gargalo identificado no processo

2 Semanas para retomada

Da publicação da nova descrição à recuperação da nota anterior

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